Expectativa muito grande pode gerar frustração.
Com Invictus dirigido por Clint Eastwood estrelado por Morgan Freeman e Matt Damon não foi assim. Me arrepiei na primeira cena.
Deve ser difícil fazer um filme cujo final as pessoas já sabem. Prender atenção contando uma história de final conhecido é complicado. Mas é aí que entra a arte de contar uma história. A de Nelson Mandela renderia milhões aos cofres da sétima arte que se rendem a clichês, fórmulas prontas…
“Seria mais fácil fazer como todo mundo faz. O caminho mais curto. Produto que rende mais.”
Outras Frequências – Humberto Gessinger
Invictus é sutil. Bem dosado conseguiu escapar dos clichês e exageros típico em filmes que narram trajetórias vencedoras da vida real.
Por outro lado não caiu na armadilha da violência gratuita; sequer inflamou o Apartheid. Não foi necessário. Invictus não vem à reboque do regime de segregação racial. O importante é o homem símbolo da luta contra o regime. O homem que triunfou e em momento algum quis pagar com a mesma moeda. O homem que soube perdoar.
O que poderia ser mostrado em cenas fortes ficou também a cargo da sutileza. Em detalhes como o discreto, mas não menos marcante, sorriso da empregada negra ao saber que o filho da família onde trabalha visitará o presidente. O filho é o capitão do time de rugby.
A seleção que tinha apenas um jogador negro era o símbolo do regime do Apartheid, da dominação branca. E foi justamente nela que Mandela uniu os sul-afrianos.
Há ainda o ponto de equilíbrio: Mandela não é endeusado no filme. É um sujeito comum.
Como se não bastasse há ainda um assunto que me enche os olhos: a capacidade do esporte de unir as pessoas.
Não vou falar de cenas do filme. Este post é apenas para registrar que Invictus é um filme excepcional.
Da sutileza na grande tela
O olhos de Camila Morgado no filme Olga sufocavam o espectador na sala de cinema com os closes do diretor Jayme Monjardim. O movimento rápido da câmera solta herdado da “Cidade de Deus” em Tropa de Elite parecem terremotos na enorme tela do cinema.
Na tela do cinema as coisas tomam uma proporção exarcebada. Não sou especialista é apenas uma observação de quem frequenta essas salas escuras de imagem projetada.
Sherlock Holmes, em cartaz nos cinemas, é outro que preza pela sutileza: nos faz rir sem os exageros do humor pastelão; sem o constrangimento da primeira vez ou dos ‘normais’.
Ser sutil não é fácil. Combinar leveza num golpe contundente é complicado. Tapa de luvas! A sutilezan não permite ir além da dose: muito leve passa despercebida; frequente se torna comum, clichê; ácida se torna ironia…
Outros filmes sutis que eu indicaria são:
Edukators, Uma vida iluminada, O Escafandro e a Borboleta, Vermelho como o céu.
Vale lembrar: não sou especialista nem crítico de cinema (rsrs), são observações de quem não se apega a detalhes técnicos e que se deixa levar por uma boa história.
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