Na viagem que fiz para o Recife uma pergunta me veio à cabeça: Por que tiramos fotos?
Talvez você nunca tenha pensado nisso. Principalmente depois que o orkut permitiu mais de doze fotografias em seu álbum. E mais de um álbum.
Quando cheguei na Praia dos Carneiros em Tamandaré (110 km de Recife) fiquei boquiaberto com a beleza da praia. São 5km margeados por coqueiros de ponta a ponta. Um arrecife de 1km de extensão que permite a formação de piscinas naturais com água cristalina que os guias chamam de ‘sopinha’ devido sua temperatura agradável.
Gosto muito de fotografar. E diante de um lugar tão bonito pensei: o que eu iria fotografar se tivesse apenas 36 poses em um filme negativo?
Nesse momento eu pensei como ficou banalizado o registro de um momento único. Por muitas vezes ele é feito pensando no álbum do orkut. Uma pena. Perdeu-se diante da facilidade de fotografar com câmeras digitais o (bom) gosto de registrar uma cena para ser guardada. Fotografa-se não pela beleza ou curiosidade da cena. As fotografias são tiradas para o orkut.
O que explica um sujeito tirar foto diante do espelho? Ou as fotos tiradas de si mesmo em paisagens? Eu tenho algumas fotos assim, mas devido à circunstância: eu viajei sozinho.
Nada contra a tecnologia que nos permite centenas de fotos instantâneas que podem facilmente ser transportadas: No Recife um pendrive e um leitor de cartão dispensava até levar a câmera com o cabo até uma lan house.
Desta viagem eu trouxe 1101 fotos das quais 998 ficarão guardadas. Deste total em apenas 52 eu apareço, em 6 delas estou com o Danilo, o amigo e anfitrião. As 946 restantes são registros dos lugares e das pessoas. Deve ser levado em consideração o fato de que eu não gosto de ser fotografado.
Parte das fotos que considero bacana e que gosto, eu publico para compartilhar com quem também gosta de fotografar ou simplesmente gosta de fotos. Em meu perfil do orkut há três álbuns destinados às fotografias tiradas por mim: Fotografando I, Fotografando II e Cotidiano, este último com fotos do dia-a-dia tiradas, em sua maioria, com o celular. Há também o álbum de fotos do flickr.
Entre fotos e vídeos meu computador tem neste momento mais de 6400 arquivos da câmera digital. A última foto que tirei com ela foi para o post do vinil do Michael Jackson. Não costumo desfazer das fotografias, exceto as que ficam totalmente desfocadas ou sem sentido. As demais, mesmo que parecidas, ficam guardadas.
Estão guardados os momentos que mereciam um registro. Outros tantos passaram batidos e não foram registrados. O nome deste blog – E|ver|aldo – tem destacado o ‘ver’, justamente por se tratar do que observo, vejo e comento por aqui. Por vezes, a fotografia é mais que suficiente para passar uma informação e registrar um momento. E para isso que eu tiro fotos. Mais importante que cada uma dessas fotografias é o registro na memória. Por isso costumo dizer que não costumo fotografar para mim e sim para quem tenha a curiosidade de ver uma cena, única, captada pela lente de uma câmera por uma pessoa que resolveu registrá-la, sabe-se lá o porquê.
Está por fora esse ego inflado pelo scrap alimentado pela porta usb.
Fotos do início do post (clique para ver em tamanho maior):
1. A primeira foto macro que tirei com a câmera digital que utilizo;
2. Ilha do Retiro no Recife. Uma das fotos que mais gosto. A bandeira do estado de Pernambuco na foto ficou muito legal.
3. Praia dos Carneiros, em Tamandaré.
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